Uma Questão de Conduta, não de Genero

Algo que sempre menciono em minhas aulas, é que precisamos ter uma acurada capacidade de discernimento como escudo contra os paradigmas e culturas obsoletas. É preciso saber diferenciar fatos de opiniões, saber quando se trata de uma verdade e quando se trata de percepção. Uma pratica que poucos de nós realmente conseguem incorporar ao próprio comportamento. Porque não aprendemos este tipo de “regra” na formação acadêmica e nem mesmo há um treinamento capaz de nos ensinar.

Como amanhã é dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, optei por falar sobre as diferenças de posturas e atitudes entre os homens e mulheres no universo corporativo. Algumas semanas atrás, este tópico foi levantado em um encontro realizado pelo Grupo Mulheres de TI, onde com a presença do professor Marcelino Tadeu de Assis, debatemos as diferenças salariais que existem entre os gêneros de acordo com as funções e regiões do pais. Tema muito interessante que vocês podem conferir neste post, e que me levou a uma reflexão mais apurada sobre este comportamento.

Sem a pretensão de trazer a tona a polêmica “ascenção” feminina, quero cutucá-los um pouquinho em relação não ao que sabemos sobre este tema, mas ao que ainda há para saber e questionar. Tenho a grata oportunidade de interagir com um público bem homogêneo, tanto em genero quanto em pensamento. E tenho visto que cada dia “as verdades” sobre o comportamento humano, tem se tornado mais tênues. Não há quem possa (ou deva) definir como deve se comportar um homem em relação ao que deve se esperar de uma mulher em seu ambiente de trabalho. Acredito que atualmente estas definições estão mais relacionadas a grupos de interesses específicos, do que a sociedade em geral. Lembrando que esta é apenas a minha percepção das verdades que observo.

Um exemplo muito divertido disso é uma campanha da Nissan, que fez tanto sucesso que está de volta para divulgar a Nissan 2013 (sim, eles estão de volta).  Alguns anos atrás nem mesmo o Nizan Guanaes conseguiria me convencer de que Pôneis Malditos vendem grandes picapes 4X4 para homens.

Por infelicidade de nossos antepassados (e principalmente antepassadas), não foi sempre desta forma. Em outras épocas estes comportamentos já foram muito bem definidos, lavrados e seguidos a risca. A long time ago… na Mesopotâmia, as mulheres eram vendidas como mercadorias e tinham menos direitos que os escravos homens. No Islam, já foi vedado a mulher o direito de se manifestar em público. E no Brasil a mulher passou a ter direito de voto apenas entre 1927 e 1932.

Atualmente a mulher tem papel fundamental na sociedade economicamente ativa. Uma matéria publicada  Instituto Observatório Social, afirma que “Mulheres ocupam 88% das vagas no mercado formal de trabalho”, segundo dados da OIT (Organização Internacional do Trabalho). E mesmo com as diferenças e a os contrastes em relação aos direitos, cada vez mais as mulheres estão presentes em cargos de máxima evidência, e mais, ano passado o cargo de máxima importância para o país foi ocupado por uma mulher. O desconforto está no tom de surpresa, e no espanto como reação, quando uma mulher se comporta de uma forma que contradiga a máxima “sexo frágil”. É como se houvesse uma inversão de valores. Mas que valores?

É muito comum quando uma mulher passa em frente a uma obra, receber muitas cantadas, de certa forma desconcertantes. Mas qual seria sua reação se…

Na esfera organizacional (ainda) não é diferente. Insisto que estas diferenças vem sendo minimizadas, mas é um fato que elas ainda existem. Se uma mulher coloca sua carreira acima das outras prioridades, é determinada, disciplinada e tem pulso firme; não se houve dizer de sua competência e sim que esta mulher trabalha como um homem. E todos os homens que você conhece realmente trabalham desta forma?

Do mesmo modo, se um homem ousa preterir sua carreira para se dedicar ao convívio doméstico, ficando em casa e cuidando dos filhos enquanto sua mulher é quem trabalha e investe na profissão, é massacrado aos olhos das organizações quando resolve voltar ao mercado de trabalho. Porque esta é uma prerrogativa (exclusivamente) feminina?

São preceitos míopes, datados de épocas com contextos e limitações que não vivemos mais e por isso precisam urgentemente de uma atualização. Mas não há outra forma de muda-los se não através da atitude, exatamente como estamos fazendo. Richard Buckminster Fuller uma vez afirmou:

“Você não pode mudar  as coisas lutando contra uma realidade existente. Para mudar alguma coisa, construa um novo modelo que faça com que o modelo atual se torne obsoleto.”

Trabalho com pessoas, que indiferente do gênero, raça ou credo, apresentam resultados através de comportamentos diferentes todos os dias. Independe de ser um homem ou uma mulher há os preguiçosos, os que colaboram, os individualistas, os controladores, aqueles que gostam de trabalhar muito, os que preferem trabalhar menos. Eu trabalho com pessoas e não as classifico por nenhum outro quesito senão pela conduta. Porque é dessa conduta que dependem os resultados que preciso, que em conjunto sejam alcançados. Começou a “dar certo”, o que antes “empacava” quando adotei este pensamento. E realmente não acredito que qualquer coisa além da conduta, possa classificar uma pessoa.  A conduta diz sobre o caráter, os valores e comprometimento de uma pessoa, pois é ela que permeia a atitude.

Acredito que o sucesso profissional de uma mulher não está em “vestir calças” e não querer ter filhos, assim como também não vejo não vejo mais os homens como simbolo de perfil autocrático e cerceador. Existem mulheres “maquiavélicas” e homens “polyanna” com chances iguais de exito ou fracasso. Então sejam seus modelos e inspirações homens ou mulheres, busquem aquela conduta que traduza a vocês mesmos, e não uma sociedade de ditames ultrapassados. E acima de tudo sejam felizes em seu trabalho, pois é a unica condição universal ao triunfo.

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Sobre Karen Oswald

Administradora de empresas, musicista, voluntária e escritora aprendiz. Atuando em Gerenciamento de Projetos, Serviços e Processos no segmento de Tecnologia da Informação e Telecomunicações. Instrutora de gestão projetos, gestão de serviços de TI (ITIL, PMI, Scrum, ISO 20000, ISO 27000, BPM). Militante do pensamento livre e das atitudes criativas. #Worklover. #Nerd e #Musicista. Apaixonada por #Sampa, seu Pampa e o mundo. Doida. Por café. E bicho. Prefere SMS. Vê #poesia na rua, e em gente. =)
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Uma resposta para Uma Questão de Conduta, não de Genero

  1. Malu disse:

    Mulher do futuro, parabens!

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