Ser líder é…

Primeiro vamos ao que não é ser líder.

“Não se é líder batendo na cabeça das pessoas – isso é ataque, não é liderança” (D. Eisenhower) – via @hsmonline

A palavra que mais aparece na minha cabeça quando penso em liderança é “orgânico”. O processo de se tornar líder em algo, é um processo orgânico. Natural. Você não consegue forçar nem consegue mentir. Ele precisa de autenticidade.

Eu não gosto nem um pouco quando vejo cargos com a palavra  “líder”. Líderes devem ser  cultivados dentro das empresas e equipes. Liderança não é o trabalho de uma pessoa. A cada nova situação, alguém vai aparecer para apoiar e fazer acontecer. Mas para isto ocorrer, é preciso ter um ambiente apto para isto.

Meu pai me falou uma coisa estes dias… que líderes podem ser reconhecidos por terem seus seguidores, por terem pessoas que acreditam nas suas ideias. Mas o ponto é até quando isto se sustenta? O verdadeiro líder é aquele capaz de criar outros líderes.

E aí mora um belo problema. Você é capaz de ensinar tudo o que sabe a ponto de se tornar inútil para suas tarefas atuais?

Eu desenvolvo as pessoas que trabalham comigo para elas encontrarem seu caminho, e buscarem aquilo que gostam de fazer. Eu dou liberdade, responsabilidade, e estou a disposição para apoiar sempre que precisarem. Note a importância da responsabilidade em tudo isto. E o que eu espero? Que elas façam o mesmo por quem estiver ao redor delas.

Com isto, consigo desenvolver times que se gerenciam e organizam pelo próprio time. Não precisam de alguém com um cargo específico para garantir isto.

Accountability é uma palavra bonita. Pensando em uma tabela RACI (Responsible, Accountable, Consulted, Informed), não quero que alguém seja somente responsável por algo. Quero que alguém se comprometa com um objetivo ou meta. E que leve outros a garantir que este objetivo será alcançado.

Agora, vem o velho ponto… será que as empresas permitem que alguém se comprometa com algo de verdade? Ou a liberdade dada é apenas uma fachada? O comprometimento é sempre ligado a alguém em cargo de gerência? A equipe tem liberdade de fazer o que quiser, mas tudo tem que ter Ok do gerente. Já viu isto em algum lugar?

O grande problema neste tipo de ambiente é a dependência criada. E normalmente uma estrutura de medo que vem junto. Como eu venho dizendo ultimamente, “isto me lembra uma tirinha do dilbert“.

Quero ver times que possam e consigam se organizar. Só que isto não acontece por mágica. Isto acontece porque estamos apoiando, dando força (empowerment) e ajudando a moldar padrões de comportamento, definindo valores, cultivando a cultura que se quer que o time tenha. No que ele acredita, como ele se comporta, quem ele é e como os outros devem ver este time. Tudo em conjunto.

Através deste tipo de ação, a tal “accountability” aparece de forma natural. Se depois de tudo o que se tentar ela não aparecer, será que este é o lugar que você quer estar?

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Sobre dwildt

Empreendedor / Desenvolvedor de Software / Agilista / Escritor -- Me siga no twitter @dwildt
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16 respostas para Ser líder é…

  1. Só sobre a “liberdade” vigiada criei até uma persona que é gerente em uma grande corporação e que diz sempre a seguinte frase para seus colaboradores:

    “Aqui você tem total liberdade, desde que não ultrapasse os limites da sua jaula”

    Abraços e precisamos conversar mais!

    Sergio Monteiro

  2. Marlon Luz disse:

    Fala Wildt, muito bom teu post…. Me diz uma coisa, o que vc recomenda qdo um líder faz o trabalho de empowerment para a equipe, deixando a equipe achar o melhor jeito de resolver os problemas deixando a equipe fazer o software do jeito que o time achou melhor e o resultado do trabalho não é bom?

    • dwildt disse:

      Aí dá para usar o próprio resultado para evitar as próximas. Acaba virando assunto da retrospectiva. Mas não uma decisão de “parar o processo de empowerment”.

      Alguém achou que o resultado não é bom… aí é saber o porque, do porque, do porque… talvez apareça alguma questão de mais conversas com quem sabe falar sobre as funcionalidades, ou tornar mais visível as decisões que estão sendo tomadas durante o caminho.

      Em uma situação que acompanhei, se melhorou a definição e pareamento sobre escrita de testes de aceitação, e se fortaleceu a prática de paper prototyping [1]. Isto ajudou em outras situações.

      [1] http://www.wildtech.com.br/tagged/paper-prototyping

  3. Como dizia o Ricardo Semler: são as pessoas que escolhem seus líderes.

  4. Pingback: Metas individuais para quem precisa delas! | Atitude Organizacional

  5. Pingback: Eventos para os próximos finais de semana! 20 e 27 de abril! | forming, storming, norming and performing

  6. Lindomar disse:

    Normalmente não costumo muito comentar os posts que leio, pois discordar de quem fez o post no meu entendimento é incorreto. Você foi obrigado a ler?!

    Mas para este vou expor minha opinião, apesar de tradicional e funcional organizacionalmente falando, muitas coisas foram criadas por uma finalidade, muitas também evoluíram em função de uma renovação humana. Isso se aplica a toda e qualquer abordagem da vida, mas onde quero chegar é que administrativamente o líder, ou a função atribuída com outra nomenclatura, é utilizado nas organizações para amenizar desqualificação, reduzir incertezas quanto a equipe, e controlar colaboradores.

    Nomenclatura normalmente utilizada, gerente! Ah, sim, dependendo da estrutura organizacional temos nomes mais bonitos, mas ainda assim o cidadão existe.
    O fato é que não estou atacando este modelo de estrutura atual, mas, aproveitando a palavra novamente, “atualmente” é o método que administrativamente se adéqua aos funcionários disponíveis.
    Quem sabe no futuro tenhamos um percentual bem maior de empresas que trabalham com liderança por natureza e não imposta. E mais, será que temos líderes suficientes para mudar o nosso modelo organizacional?
    Enquanto isso o homem da caneta de ouro continuará dando o canetaço não por valores e seguidores, mas por que essa caneta lhe foi dada por um homem da caneta de diamantes.

    • dwildt disse:

      Legal Lindomar! Renovação é uma palavra legal.

      Eu entendo que é uma mudança de como as empresas são organizadas. Cada vez mais ligadas e focadas em colaboração. Outra palavra que aparece aqui é “foco no coletivo”. E tenho certeza que quanto mais tradicional e antiga a empresa, mais difícil será desta mudança ocorrer. Ainda assim, acredito na mudança.

      Não acho que temos líderes suficientes para mudar o modelo atual, mas justamente é tarefa de quem está aí para fazer estas mudanças acontecerem, formar novos líderes.

      Obrigado pelo comentário!

    • Oi Lindomar, seu ponto é interessante, mas, é perecível (na minha opinião).

      Estas teorias e práticas que visam “controlar colaboradores” foram desenvolvidas em uma época em que a economia girava em torno da produção de produtos industrializados. Nesta época precisávamos de pessoas controlando máquinas rudimentares e/ou utilizando suas habilidades para confeccionar um produto. Era importante que estes trabalhadores produzissem uma quantidade mínima, e com qualidade, de um produto para que a empresa sobrevivesse. Hoje, utilizamos robôs para isso. O que me deixa muito feliz, pois, engrandecemos os homens com tarefas que exigem seus “bens” mais preciosos: conhecimento, inteligência e colaboração.

      A verdade é que já vivemos em uma economia criativa na qual as empresas mais valiosas são aquelas que inovam. A economia voltada à indústria está acabando. Inovação requer criatividade, aprendizagem e tolerância. Criatividade, aprendizagem e tolerância, requerem liberdade (o que se opõem ao controladorismo). Empresas que não inovam, estão com seus dias contados. Não importa o tamanho da empresa. Não importa a área em que atua. Em breve, uma empresa que não inova (seja no seu produto, na sua linha de produção, em seus processos, etc), vai falir bem perto de você porque uma outra empresa que inova e entrega tanto valor quanto a primeira, vai tomar seu lugar.

      Dito isto, “amenizar desqualificação” e “reduzir incertezas quanto a equipe” são problemas que podem (e devem) ser resolvidos com educação. Não me entenda mal. Não estou dizendo: “- Vamos mandar todo mundo de volta para a escola”. Estou dizendo que, se a equipe não é qualificada, qualifique-a, ou encontre pessoas qualificadas, elas estão por aí, cabe a você atraí-las (isso mesmo, elas não viram correndo por causa de um biscoitinho). Se possuímos incertezas quanto o desempenho da equipe, devemos procurar as causas das incertezas e resolver os problemas. Colocar uma pessoa para liderar/gerenciar, não é uma solução, é uma desculpa.

      Por fim, liderança não se impõe, se cativa. Se não, não é liderança.
      Não me leve a mal, apenas minha opinião.

      Abs.,

  7. Daniel, temos um mural aqui e peço tua permissão para colocar nele trechos do texto, pode ser?

  8. Pingback: Cultura de aprendizado e formação de equipes de alto desempenho — GU Day SUCESU-RS 2013 | forming, storming, norming and performing

  9. Alison Souza disse:

    Baita post,

    O líder não é imposto para a equipe, liderança é situacional e não um cargo, o verdadeiro líder emerge no time.
    Expressei minha opinião em um post chamado: Diferenças entre: Gerente, Líder e ScrumMaster

    http://www.alisonsouza.com.br/post/602

    Abraço.

    • dwildt disse:

      Pois é… “ScrumMaster” está virando um cargo. O problema é que muitas vezes os requisitos são: leituras relacionadas com Scrum e alguma certificação de 16 horas de aula. Ele deveria aparecer em virtude da prática do dia a dia. E eu vejo o papel de ScrumMaster como algo que pode ser rotacionado dentro da equipe. Vários skills legais podem ser desenvolvidos neste processo.

      Da mesma forma, considero “líder” uma palavra que não deve ser associada a um cargo, até pelo o que você comentou. Os líderes vão surgir dentro do time.

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